segunda-feira, 4 de julho de 2022


 

 

AGESILAU DE ESPARTA 3 – 22 jan 2022

 

Naturalmente, ele encontrou oposição,

mas após conquistar os senadores,

agiu sempre com a máxima equidade

e a cada vez que surgia uma questão

envolvendo os seus opositores,

só os condenava se a culpabilidade

era inegável; mas quanto a seus amigos,

os protegia de todos os perigos,

quando menos por adiar sua decisão,

como forma de mostrar-lhes compaixão.

 

Logo depois de Agesilau ser coroado,

da Ásia Menor notícias lhe chegaram,

que os Persas grande frota construíam

e aos Espartanos teriam ameaçado;

Lisandro e os Éforos então o aconselharam

a uma campanha empreender, já que eles viam

ser melhor que os atacassem primeiro

e quebrantassem seu ânimo altaneiro,

por batalhas travadas em sua terra,

para evitar que no mar travassem guerra.

 

“O ataque é a melhor defesa”, teria dito

Lisandro, que dizem autor desse aforisma;

ao mesmo tempo, eles cartas enviavam

a seus amigos, com o conselho e fito

que de Agesilau aliviassem a cisma,

socorro a lhe pedir na luta que travavam.

Partiu Agesilau com trinta cidadãos

para servir de comandantes das legiões

de dois mil Hilotas, em Esparta escravizados (*)

e seis mil soldados dos aliados convocados.

(*) Além dos cidadãos, havia Espartanos de classe média, sem direito a voto,

chamados Periecos e os antigos habitantes que haviam sido escravizados

quando os Dórios conquistaram a cidade, os chamados Hilotas.

 

Lisandro acreditava que ao lhe dar esse comando

melhor serviço lhe prestava que ao trono conduzi-lo,

por saber que ele seria finalmente vitorioso,

mais prestígio entre o povo despertando;

em Áulide fez a tropa acampamento e asilo

e ali Agesilau teve um sonho portentoso,

em que uma voz o aconselhava claramente:

“Somente Agamemnon toda a Hélade potente  (*)

comandou em expedição, partindo desta ilha:

deves agora percorrer a mesma trilha.”

(*) Agamemnon, rei de Micenas, comandou na Guerra de Tróia.

 

“Aos deuses deves oferecer o mesmo sacrifício!”

Sua filha Ifigênia esse Agamemnon oferecera,

mas Agesilau não sacrificaria um ser humano

e então capturou uma corça e tal ofício

por seu próprio sacerdote se empreendera,

mas a seus aliados Beócios, tal gesto soberano

até ofendeu. Seus Beotarcos, ou seja, generais

declararam-no contrário a suas leis habituais;

antes de batalha, era seu próprio sacerdote

que deveria realizar de um holocausto o dote!

sábado, 2 de julho de 2022


 

 

VIRTUAL HIPNOSE 1 – 2 JUL 22

Ilustração: Julia Faye, atriz do cinema mudo

 

Quando passeio pela Onirosfera,

persigo fogos-fátuos impaciente

por qualquer coisa que se me apresente,

na rejeição total do que me espera,

 

quando do olhar a luz do sol se abeira;

sempre ali encontro magia diferente,

um espanto qualquer com que me alente,

mas deste lado só rotina e pasmaceira...

 

Talvez indaguem se não tenho pesadelos,

mas não os tenho, somente peripécias,

que me fazem recordar de antigas grécias

 

e dos tempos remotos dos desvelos;

mas sobretudo, tenho pendor potente

para o controle total de tal ambiente.

 

VIRTUAL HIPNOSE 2

 

Pesadelos só encontro neste espaço

em que a vida me tolhe diariamente,

pois nada sei do que tenho pela frente,

se de amor encontrarei um leve traço.

 

Nada controlo no avanço de meu passo,

muda-se o clima caprichosamente,

notícias chegam de forma indiferente

e nada sou nesse tempo tão escasso.

 

Quando me deito, aguardo em impaciência,

não pelo sono, que falta não me faz,

mas pelo ingresso em anil imponderável.

 

Meu corpo deixo com sua vã exigência,

mas se me faltam sonhos, sou capaz

de encarcerar-me neste mundo condenável.

 

VIRTUAL HIPNOSE 3

 

No hipnagógico assim me refugio,

fico aos poucos a tecer meus devaneios,

deixo de lado tristezas e receios

nessas paisagens que para mim eu crio.

 

E com frequência, até retomo o fio

dos vultos de ontem, por arcanos meios,

galgo a mesma janela em meus recreios

e logo encontro a senda em que me guio.

 

Mas se algo ocorre diverso do que quis,

giro o timão a controlar minhas naves,

para o reino cristalino em róseas lentes,

 

volto às mansões em que me satisfiz,

das mesmas casas recupero as chaves

em que me esperam mil faces sorridentes.

sexta-feira, 1 de julho de 2022


 

 

CONSEQUÊNCIAS I – 30 JUN 22

 

Sonhei em vão o tempo das estrelas,

como se fosse decorrência natural,

sem ser somente a corrida espacial,

nessa disputa da ideologia pelas

medalhas e triunfos nas estrelas,

hoje esquecidas qual luxo banal

pelos museus exibidas em fanal

para quem possa nos futuros vê-las.

 

Porém, quando falhou o sovietismo,

perdendo a Rússia império e poderio,

a Norteamérica perdeu a sua paixão,

mais ocupada com um atual modismo,

lançando verbas para qualquer vazio,

que então ocupe dos Democratas a atenção.

 

CONSEQUÊNCIAS II

 

Fiquei assim em meu desapontamento:

por que a Lua não foi colonizada?

A exploração do sistema ainda é buscada,

de forma alguma com igual açodamento!

Talvez me digam ser engano de um momento,

mas em viagem por Ohio realizada,

com Neil Armstrong sentei-me em temporada,

antes de ter ele da Nasa o treinamento.

 

Só piloto de provas havia sido

e fora ali a visitar seus pais,

desconhecendo seu aproveitamento;

desembarcou antes de eu ter descido:

em mim por certo não pensou uma vez mais,

mas recordei-o em maravilhamento!

 

CONSEQUÊNCIAS III

 

Surgiu aos poucos a estação espacial,

com a colaboração entre os rivais,

alvo de esforços internacionais...

Mas não o que esperei ver no total.

Agora veem-se pelo espaço sideral,

as sondas e incursões artificiais,

talvez em Marte colonizações finais,

antes que eu parta deste globo seminal.

 

Sinto entusiasmo ao ver iniciativas

de organizações privadas ou de outras nações:

será que algo chegarei ainda a ver?

Porem lamento as rivalidades redivivas,

mais por política que por reais razões,

sem que na Lua as pretendam resolver...

 

EXSANGUINAÇÃO I – 1º JUL 22

 

Todo amor te requer veias abertas,

para que os sangues se possam misturar;

mas não convém as artérias recortar,

pois tais correntes serão bem mais espertas

e duas circulações assim despertas

nem terão tempo para se abraçar,

paixões têm a tendência de acabar,

efusões plácidas de amor sendo mais certas.

 

Assim coloca um firme torniquete

 no alto de teus braços, quando o ardor

se demonstrar impetuoso de paixão;

que não ocorra que tua vida se projete

e acabe misturada e sem vigor

em mil amores coagulados pelo chão.

 

EXSANGUINAÇÃO II

 

Era somente uma luz vinda de fora

o palpitar dolente do teu beijo,

os apalpares arfantes do desejo,

era o ventre acariciado sem demora,

era o corpo apoiado nesse outrora,

contra um móvel qualquer em tal ensejo,

mas meu sexo no teu apenas vejo,

na escuridão teu rosto vai-se embora...

 

Foi apenas uma entrega efervescente

o aquecimento total desse momento,

que volta límpido, mas é cristal quebrado;

nessa troca de fluidos, finalmente,

nesse mais breve repasse de um portento,

enclausurado firme em meu passado...

 

EXSANGUINAÇÃO III

 

Nada mais há a dizer, mas mesmo assim,

eu me contento em recordar sozinho

isso que escrevo envolto em desalinho,

enquanto eu bailo em firewall sem fim;

sei redigir, mas nem sei por que convim

em me submeter a um comezinho

dever diário com meu lembrar mesquinho,

que diariamente me requer, alfim,

 

que clique da memória em algum botão,

até que o sangue, no plasma da lembrança

torne a fluir por todo o meu sistema.

Mas como o amor foi então sofreguidão,

em minha medula algo dele ainda descansa

e as mãos me força a redigir mais um poema...