quinta-feira, 27 de maio de 2021


 

 

CRYSTALS  -- Translated May 27, 2021

 

Love leaves a taste of emerald on its ride

every time one munches wind ascent:

blessed sifts between the fingers the scent

in that certainty that warms hearts wide.

 

Love is a green flower, that on each side

of Summer hills can be picked in a moment,

green that flower, greener that portent,

juicy to carry on our backs as sweet guide.

 

Not because hope to be green is said,

hope is but gray, nowhere it leads us go,

and so much tastier feels our love green!...

 

It melts rather soon over our tongues laid,

all love enjoyed tasting like a dawn to show

green the emerald shine in love’s bright sheen.

 

BELOW MY USUAL SONNET IN PORTUGUESE

I TRANSLATED THE ABOVE FROM

 

CRISTAIS

 

Amor deixa gosto de esmeralda

a cada vez que se mastiga o vento:

escorre o cheiro pelos dedos, bento

pela certeza que o coração rescalda.

 

Amor é verde flor, que em cada falda

das colinas se recolhe num momento:

verde essa flor e verde é um tal portento,

que carregamos viçoso a plena espalda.

 

Não porque digam ser verde a esperança:

a esperança é gris, não leva a nada,

enquanto esse amor verde tem sabor...

 

Posto na língua, derrete sem tardança:

o amor gozado tem gosto de alvorada,

nessa esmeralda verde que é o amor!...

 

quarta-feira, 26 de maio de 2021


 

 

WALLS OF SORROW – Translated on May 26, ‘21

 

The inner plaster of the oldest homes

keeps the dreams of their former dwellers,

keeps from sufferers all the nightmares

keeps the sunlight within their tile bones,

 

keeps the voices of counseling drones,

keeps the ancient warmth of the lovers,

keeps the weeping of the oath-brokers,

keeps the mirror light on pane tones.

 

Long the times the dwellers are all gone,

mostly moving into their last abodes,

others this way and that have marched.

 

All the same, if to step in there you are prone,

your own flesh may be pierced by the lodes

of those echoes with such memories charged.

 

BELOW SEE MY ORIGINAL SONNET THIS

WAS TRANSLATED FROM,

 

PAREDES DE LAMENTO I

 

O reboco interior das casas velhas

conserva os sonhos dos que lá viveram,

conserva os pesadelos que sofreram,

conserva o reverbero de suas telhas,

 

conserva aquela voz com que aconselhas,

conserva o ardor antigo dos que amaram,

conserva o pranto de quando separaram,

conserva a luz do vidro em que te espelhas.

 

Já de há muito se foram os habitantes:

muitos foram para a casa derradeira,

outros apenas em séries de mudanças...

 

Porém, se nelas entras, por instantes,

tua carne é penetrada pela esteira

desses ecos carregados de lembranças...

 

 



 

 

OS OLHOS DA PRINCESA

CAPÍTULO SEGUNDO – 26 MAIO 2021

 

Um dia triste, adoeceu o falcoeiro

e percebeu que seu fim se aproximava;

chamando Maugan, baixinho lhe falava:

“Meu filho, eu já vivi meu tempo inteiro,

Agora é tua vez de prosseguir em frente.

nada tenho para te deixar.  Até a choupana

pertence ao rei.  Contigo só se irmana

Peito Branco, tua herança inteiramente.”

 

“És um bom filho, busca a fortuna e adeus.”

Alguns amigos do pai o ajudaram

e num canto do cemitério o enterraram;

Maugan, envolto nos sentimentos seus,

julgou que estava completamente só;

nem sei se o rei me deixará aqui ficar...

Mas a seguir, foi capaz de se lembrar:

Não por completo. De Peito Branco tenho dó...

 

De fato estava bastante ressentido,

Pedira ao rei que o ajudasse a sepultar:

“Cada súdito que morre tenho eu de enterrar?

Maior problema percebo ter surgido:

para amanhã já planejei outra caçada,

você é capaz de aprestar os meus falcões?”

Maugan gelou ante essa falta de emoções,

mas prometeu os falcões para a empreitada.

 

Chegando assim ao poleiro dos falcões,

foi perguntar a Peito Branco o que faria...

“Caso eu soubesse, te aconselharia,

mas não sei quais as tuas intenções...”

“Mas então falas?” – indagou-lhe surpreendido.

“Teu pai que te treinou, a mim ensinou a falar.”

“Por que nunca antes eu pude te escutar?”

“Nada perguntaste, senão teria respondido.”

 

“Todo esse tempo, já são dezoito anos

e nunca ouvi qualquer falcão falar...”

“São uns burros.  Só aprenderam a caçar,

teu pai até fez esforços sobre-humanos...

Mas onde ele está?  Não o vejo por aqui.”

“Pai faleceu...” – disse Maugan tristemente.

“Ora, que pena!  Mas acontece a toda gente,

Mas confesso lamentar muito que o perdi...”

terça-feira, 25 de maio de 2021


 

 

ALOOFNESS XI – Translated May 25, ‘21

 

Stealthily, I seek for you in my dream:

you cannot flee when caught in this embrace,

the dream is mine and its script I trace,

when kisses are complete and without seam.

 

Then I see that your vision bears no gleam,

for I brought you as a slave into my space,

before my yearning you look out of grace

and your smiles are fake and come to spleen.

 

Thus I sigh to let you go and only watch

the dimmest shade, all hollow of desire,

so I slip into your dream, knock at your gate

 

and if you open it, there’ll be no match

to this religion of the kiss most sincere

when you may dream my shadow as your mate.


QUEM RECORDA DE MARTHA VICKERS,

A ANTIGA ATRIZ HOLLYWOODIANA?


AS USUAL, MY PORTUGUESE ORIGINAL

I TRANSLATED THE ABOVE FROM,

 

ESQUIVANÇA XI

 

Furtivamente, te procuro nos meus sonhos:

não te podes esquivar, quando te abraço;

o sonho é meu e seu roteiro traço,

onde os beijos são completos e bisonhos.

 

Porém neles teus olhares são tristonhos:

que te trouxe cativa a meu espaço;

ante minha ânsia, o teu ardor é baço

e teus sorrisos falsos são medonhos...

 

E assim, te deixo ir...  E só contemplo

a sombra esmaecida, sem desejo...

Vou a teus sonhos e busco o teu portão.

 

Se então o abrires, sagrado como um templo,

na religião do mais sincero beijo,

sonharás com meu vulto em tua ilusão.

 



 

 

OS OLHOS DA PRINCESA – 25 MAIO 2021

WILLIAM LAGOS SOBRE CONTO DE FADAS IRLANDÊS

 

OS OLHOS DA PRINCESA

CAPÍTULO PRIMEIRO

 

Quando na Irlanda reinava Brian Conners 32,

o grande rei de Knocknasheega, existia (*)

um de seus servos a treinar a falcoaria,

que tinha um filho e a sós viviam os dois,

porque o velho falcoeiro enviuvara

e ao filho Maugan ele ensinara a profissão: (+)

uma dúzia de falcões mantinha na ocasião,

quando um morria, logo outro se treinava.

(*) Leia Nocachiga  (+)  Leia Mógan

Eram falcões do rei.   O falcoeiro

somente tinha um que era só seu,

que ele criara desde o ovo que perdeu

a mãe falcão de seu ninho pegureiro.  (*)

Pensara mesmo em devolvê-lo ao ninho,

mas teve medo que a mãe o rejeitasse

e ao empurrar fora do ninho, se quebrasse

e assim guardou-o no maior carinho,

(*) Nas alturas

 

em uma bolsa de couro, junto ao peito,

até que, finalmente, o ovo chocou;

com muito amor o falcoeiro o alimentou

e o treinou para seu máximo proveito.

Peito Branco era seu nome, pela mancha

que lhe descia logo abaixo do pescoço;

nos treinamentos participava do retoço,

nas falcoarias do rei jamais o encancha.

 

Esses falcões viviam presos a correntes

e sempre que saíam do poleiro

capuz usavam e o rei ou cavaleiro

nos pulsos os levavam, as garras presas rentes

sobre luvas de malha de metal pousados.

Quando alguma ave de caça se avistava,

o proprietário o seu capuz tirava

e eram os falcões para os ares enviados.

 

Eles traziam no pescoço uma coleira

impossibilitados de comer a caça;

entregue ao dono, recebiam como graça,

pequenos pedaços, cortados da papeira

e o falcoeiro levava as presas no bornal, (*)

que eram servidas na mesa do rei;

não era só um divertimento, te direi:

a comida era escassa no tempo medieval.

(*) Saco amplo de couro

 

Mas Peito Branco era em casa conservado

e só caçava quando os demais dormiam,

tão bem treinado que correntes não o prendiam

e nunca era por coleira atribulado.

Quem o cuidava era o filho do falcoeiro,

aquele Maugan, então rapaz já alto e forte,

que na igrejinha tivera a boa sorte

de aprender a ler e a escrever, bem fácil e ligeiro!...

segunda-feira, 24 de maio de 2021


 

 

RESIGNATION – translated may 24, ‘21

 

today i shall present

two weeks’ notice

to every love I might keep in heart,

swiftly to fade all that illusion

that bothers me with no reason at all

pretending love for love’s sake alone,

relating     resisting

bothering     conveying

singing      echoing

i shall wake up dawns

at midnight

no longer having a place to hide me

the friendly night turned into a whip

therefore i want the sun over greenland

six months shining to the north of skand

island     iceland

 ireland     eireland

 lapland     lappland

at midday instead

i shall take the shadow

that stops me from nearing my window

glass casements to burn under my pan

to cook the flesh of my absent muse

to fry my fingers in omnipotent gesture

omnipotent     omnipresent

  prepotent      despotic

to comb my teeth

 the way i choose

                              no fate to take

there is no destiny,

but when i listen to twelve tolls

i shall know those were not wasted with me,

but twelve hours of coagulated song

always a rhyme for my weeping

parapet     parakeet

     double point      pinpoint

    to each point      its final point

 

ON THE ILLUSTRATION, BRITNEY SPEARS

 

AS USUAL, BELOW SEE MY ORIGINAL

I TRANSLATED THE ABOVE FROM

 

DEMISSÃO

 

hoje pretendo

dar aviso prévio

a todo amor que traga ao coração

que vá embora depressa esta ilusão

que sem motivo está me perturbando

amor do amor apenas denotando

 relatando           relutando

incomodando          acomodando

cantando          ecoando

vou acordar a aurora

à meia-noite

não tendo mais lugar em que me acoite

a noite amiga transformou-se em açoite

por isso quero o sol da groenlândia

seis meses brilha ao norte dessa escândia

islândia          eislândia

 irlândia          eirelândia

laplândia          lapolândia

ao meio-dia porém

eu quero a treva

que me impeça aproximar-me da janela

ardem caixilhos embaixo da panela

cozendo a carne de minha musa ausente

fritando os dedos em gesto onipotente

onipresente          onipresente

prepotente          prepotente

pente          dente

ao meu alvitre

não há destino

mas quando ouvir as doze badaladas

sei que não foram por mim desperdiçadas

são doze horas de coagulado canto

que sempre serve como rima para pranto

paraponto         paraponto

pesponto          pesponto

ponto          ponto


 


APENAS VOLTEJOS I – 24 MAIO 21

 

Essa lenda de Fausto é bem antiga,

mais velha ainda que o germânico alquimista

que viveu das ciências à conquista,

que para a igreja mostrava-se inimiga;

por isso que a lenda lhe aspergir consiga

de algum pacto demoníaco e lhe insista

que de tudo que escreveu então desista,

para não ser alçado à forca e à viga!

 

Ah, Mefistófeles, o demo que inventaram

para o caráter desse fausto enegrecer!

Mas eu não busco de um demônio o riso,

nem qualquer dote que magos consagraram,

porque minha alma, se preciso for vender

só entregarei a Afrodite e a Dionyso!...

 

APENAS VOLTEJOS II

 

A maioria pelo mundo busca a fama:

de braço dado, que lhe venha a glória

e ainda a riqueza, espólio da vitória,

que à própria vida do afamado clama;

falo a verdade: o impulso que reclama

o redigir dos versos em minha história

é muito diferente dessa escória,

que tanto luta por se alçar na lama!...

 

Frequentemente, a mim mesmo surpreendi

pela força que um poema de mim cobra

e se decido a espalhá-lo, ainda hesitante,

não é que eu queira os frutos que escolhi,

só o que interessa é a difusão da obra,

meu nome sendo totalmente irrelevante!

 

APENAS VOLTEJOS III

 

Desprezavam as mulheres os antigos:

os Romanos nem sequer lhes davam nomes:

que apenas a forma masculina tomes

e ao nome de teus avós que dês abrigos;

entre os Judeus, até mesmo nos jazigos,

vemos três e quatro irmãs de iguais prenomes,

somente aquelas a alcançar vastos renomes

eram lembradas por vencer seus inimigos.

 

Mas chegou o Cristianismo e então fez-se,

mais que desprezo, um medo bem mortal

dos mistérios que há no corpo feminino:

“Que sem sequer o capim pior renasce

onde se pinga o rubro sangue menstrual,”

como afirmou-nos São Tomás de Aquino!