domingo, 31 de janeiro de 2021


 

ACQUIESCENCE  -- 04 MAR 04

 

a fact again it is: that with the web

i can invade you, and straight home

throw at you my verses, in trying to hone

your heart to the shape of that stab

 

i'll be able to, with love for me,

for me alone, forgetting all the past

ghosts of sorrow, laying down to rest

the phantoms of former loves with glee,

 

to share a love anew, a love sinful,

a love askance, a weird love, a dark

way of expectation, yes, a doubtful

 

plunging ahead, to the very abyss

you fear so much, and embrace this spark

that shall fulfill your heart with fiery bliss.

 



 

 

POLIFENISMO I – 9 AGO 20

 

Existe em insetos e alguns outros animais

a capacidade de real transformação;

parecem mesmo, perante a observação,

serem espécies diversamente naturais.

 

Desses o exemplo que se conhece mais

é o das formigas, cuja alimentação

conduz as larvas cada qual à sua função,

de acordo com as necessidades materiais

 

do formigueiro.   As suas potencialidades

vão sendo assim alentadas ou inibidas,

criam menores para serem operárias

e as que conservam mais capacidades

serão “soldados”,  para suas guaridas

defenderem das agressões mais várias.

 

POLIFENISMO II

 

Algumas, enfim, à reprodução destinam,

todas elas poderão virar rainhas,

com asas para um voo vão sozinhas,

até um orifício que na terra minam

 

ou em fendas de rochas e até se empinam

por entre as telhas e logo pequeninhas

saem dos ovos para atacar as vinhas

e alimentar as outras que ainda ninam.

 

Mas isto é irreversível.  Outros insetos

mudam de cor conforme a estação,

fenótipos vários, diversos os tamanhos;

mesmo os mamíferos do ártico diletos

trocam do pelo a nuance em proteção

ou de alimento obter maiores ganhos.

 

POLIFENISMO III

 

E sempre houve o gigante de olho só,

o Cíclope a que chamaram Polyphemo,

em boa parte imaginado como um demo

por humanos devorar sem qualquer dó.

 

De meus sonetos também a longa mó

revela aspecto bastante polifeno,

alguns maldosos e cheios de veneno,

outros complexos de até causar um nó

 

na gentil compreensão de seus leitores,

outros ainda eruditos ou sarcásticos,

alguns eróticos, sem serem pornográficos,

alguns expressam sentimentos cáusticos,

outros descrevem acontecimentos gráficos,

ingênuos outros na descrição de seus amores.

 

OS TRÊS IRMÃOS I – 10 AGO 20

 

Poucos recordam de Tíbulo, o poeta

romano, que escreveu odes de amor,

que da guerra combatia o estridor,

para viver entre os braços da dileta...

 

“Louco é quem parte como veloz seta

ao encontro da morte, não ao calor

do corpo de sua mada ou ao vigor

da vida em paz no lar que nos completa!”

 

Louvava o campo contra a vida urbana

e recordava, em sua melancolia,

a Idade de Ouro, pois assim dizia

ser o tempo em que a guerra não conclama

ao campo de batalha, em busca de ouro,

cobiça a fonte de qualquer desdouro...

 

OS TRÊS IRMÃOS II

 

Guerra, Cobiça e Luxo, três irmãos,

três flagelos desprezíveis igualmente,

cada um ao outro tornando mais potente,

sem os demais, seus resultados vãos.

 

Nos velhos tempos de suas ilusões

nenhum exército existia, realmente,

um coração de ferro tinha, certamente,

quem primeiro a espada brandiu em ocasiões.

 

“Porque não devem os ferreiros ser culpados

só por que aos homens forjaram as espadas,

que destinavam a combater as feras,

nós que empregamos os objetos fabricados

uns contra os outros, em lutas acirradas,

a morte rindo, soturna em suas esperas!”

 

OS TRÊS IRMÃOS III

 

“De fato a culpa pertence só ao ouro:

não havia guerra quando em copos de madeira

bebiam os filhos do fruto da videira,

fermentado por seu pai em vasos de louro.”

 

“Feliz do homem que aguarda, sem desdouro,

entre seus netos, a visita derradeira

de uma morte preguiçosa ante a lareira,

sem ir buscá-la, veloz como um tesouro!”

 

“Ali com outros Três Irmãos conviverá:

o Amor, a Paz e o conforto de seu Lar,

contra o Luxo, a Cobiça e a fria Guerra...”

Não admira que já não mais se falará

desse poeta gentil, ante o louvor

das ferozes epopeias de sua terra!...

 

A VIDA NAS MORTES I – 11 AGO 2020

 

A Morte somos nós, cercados sempre,

que nos faz definidos no que somos;

não é a Vida, de quem um dia fomos

e já não somos mais, pois nós mudamos

e a Morte para nós é o novo ventre,

que nos torna finais em sua certeza;

pode a Vida ser feia ou de beleza,

porém na Morte enfim nos transformamos

naquilo que vivemos para ser;

o quadro se completa em tal momento

e nada mais consegue ser mudado;

nós nos tornamos no que querem ver

aqueles que ainda estão em movimento,

simples retrato em porcelana completado.

 

A VIDA DAS MORTES II

 

E se Tíbulo Poeta a distinguía,

qual na série que ontem descrevi,

é que era jovem em seu tempo de alali

e a Morte apenas de um lado conhecia;

sem recordar que inda há terceira via,

não nas batalhas que critica ali,

nem a tranquila que deseja para si,

mas a doença que a tantos desvalia...

isso é até de espantar, quando a malária

tanta gente massacrava dos Romanos,

cuja fibra se esgotou pela doença,

não por qualquer viciosidade multifária,

nem tampouco pelos luxos soberanos,

que tanto condenava em ingênua crença.

 

A VIDA DAS MORTES III

 

Pois bem melhor até seria a morte breve

num campo de batalha, em que os feridos,

por “golpe de misericórdia” eram banidos

para esse Orco, a quem ninguém se atreve

em geral a mencionar, porém que leve

em sua garganta os Romanos falecidos,

cuja entrada no Fórum os entendidos

até mostravam, para que o sangue ceve

as almas que se encontram lá, sedentas;

por isso de gladiadores os combates,

um sacrifício aos deuses Lares e Penates;

ali estando sacerdotes, em litanias atentas,

lutas sangrentas destinadas a abafar

o medo aos mortos que os poderiam chamar.

 


sábado, 30 de janeiro de 2021


 

 

poem churning I – 03 mar 2002

 

a fact it is: that in your absence

i write a lot; but when you're near

i keep scribbling and your sight clear

lights my way with often permanence.

 

a pact it is: that for your presence

i traded my soul, so as to keep in gear

the brain engines that, without pain or fear,

regurgitate poems to the redolence

 

that once you left in my dark den,

keeping my nostrils full, and making

my eyes see you, day and night, when

 

they but spy the places you've been

and moved through and let, for the taking

a ghost that can by mind alone be seen.

 



 

 

Satisfação 1 – 6 Agosto 2020

 

Nada tenho hoje a dizer, que estou  vazio,

Tal qual que te afirmaste dias atrás;

O mês de Agosto prazer algum me traz

E nem ao menos eu sinto o mesmo frio

Que em mim se torna em entusiasmo e brio

E de costume até bastante satisfaz:

Sem a pressão do calor alcanço a paz

E os outros vejo a tremer em calafrio...

 

E então vejo os emails a me chegar,

Sem me trazerem qualquer satisfação

Qual uma linha tua apenas me traria.

Mesmo que fosse para me avisar

Do definitivo final da relação,

Sempre as palavras tuas beijaria...

 

Satisfação 2

 

Diferença não faria se escrevesses

Cruéis frases ou só desagradáveis,

Devoraria até as mais execráveis,

Por constatar que de mim ainda tivesses

Recordado nesse instante e que me odiasses,

Pelos motivos em mim mais censuráveis

Ou por caprichos totalmente dispensáveis,

Mas que nesse momento em mim pensasses,

 

Igual que penso em ti a cada instante

De minha vida, sem ao menos intervalos

Entre parágrafos de minhas traduções;

E nem compreendo como seja delirante

Meu turbilhão de sentimentos, sem achá-los

No mesmo fardo das tuas emoções.

 

Satisfação 3

 

Pois a mera lembrança da lembrança,

Momentânea que fosse no teu peito,

Demonstraria estivesse ainda sujeito

Ao mesmo vago sonho de esperança;

Eu bem percebo ser coisa de criança,

Que sobre ti já perdi todo o direito,

Na plena compreensão de meu mal-feito

E no entanto, como dói essa esquivança!

 

Se ao menos escrevesses, sob o esterno,

Meu coração bateria mais depressa,

Triste e feliz no mesmo sentimento

De quão veloz já se esgotou o eterno,

Mas que o desdém de acarinhar não cessa,

Melhor a ser que o descontentamento.

 

CRISTAS DE CRISTAL I – 7 AGO 20

 

QUEM ME VERÁ NO DESPERTAR DA AURORA,

JAZENDO AQUI EM MEU LEITO SOLITÁRIO,

A TUA LEMBRANÇA MEU ÚNICO SACRÁRIO,

PRAZER SENTINDO ATÉ MESMO EM TUA DEMORA?

 

ELA ME LEMBRA DE TUA AUSÊNCIA A CADA HORA,

ATÉ O DIREITO SE TORNAR CONSUETUDINÁRIO;

BELA INVERSÃO DO QUE ESPERAVA SER CONTRÁRIO,

QUE ME LEMBRASSE TUA PRESENÇA EM MEU OUTRORA.

 

CONTEMPLO OS RAIOS DO SOL, TIMIDAMENTE

A RASGAR DE MEU TOLDO OS ORIFÍCIOS,

PROVOCADOS EM FUROR PELA SARAIVA,

 

ENQUANTO AS POMBAS, FERVOROSAMENTE,

PIPILAM A AFIRMAR SEUS BRANDOS VÍCIOS,

UMAS ÀS OUTRAS A SE BICAR COM RAIVA!

 

CRISTAS DE CRISTAL II

 

QUEM ME VERÁ AO DESPERTAR DO AR,

NO SEPARAR DE MINHAS VENEZIANAS,

SEM MAIS VIDRAÇAS A SE LANÇAR EM GANAS,

PORQUE ANTES AS ABRI DE PAR EM PAR?

 

TALVEZ ATÉ UM DESALENTO VÁ ENCONTRAR,

PREPARADO QUE ESTAVA E SÓ OS PIJAMAS

CONSIGA FARFALHAR EM SEUS PROCLAMAS

SOBRE ESSE ESPAÇO QUE ACABOU DE CONQUISTAR.

 

CONTRA AS PAREDES ESSE AR SE EMBATE,

O AR QUENTE DO INTERIOR BUSCA SAIR,

O AR FRIO DE FORA BUSCANDO PENETRAR,

 

ANTES QUE O SONHO DO PEITO SE DESATE,

TODA A LEMBRANÇA DEPRESSA A ME FLUIR,

ENQUANTO A MÁGOA INSISTE EM SE ALOJAR...

 

CRISTAS DE CRISTAL III

 

QUEM ME VERÁ, NO DESPERTAR DO VENTO?

NÃO SEI MAIS QUEM ESPERO, NEM SE ESPERO.

REDUZ-SE A BRISA A UM ESTERTOR DE ZERO,

JÁ LIMITADA A UM DESESPERO LENTO...

 

MAS NÃO SOU EU QUE ME ENTREGO AO DESALENTO:

PÁLIDO É O VENTO, NÃO ME ENVOLVO COM O MERO

DESEJO ENCARQUILHADO, O TURBILHÃO AUSTERO

A CONTEMPLAR, INDIFERENTE, EM CATAVENTO...

 

PELA CRISTA DE CRISTAL, SEM QUE VIESSE,

MIL VEZES ESPEREI, SÓ CHEGOU-ME A CLARA VELA

QUE ALIMENTA MEU DESEJO EM FRÁGIL LUZ

 

E NEM POR ELA RECORDO DE UMA PRECE;

LÁ NO ALTO AINDA CONTEMPLO MANSA ESTRELA,

PORQUE  O VENTO NADA TRAZ QUE ME SEDUZ.

 

A BABA DAS MÉDIUNS 1 – 8 AGO 20

Que me perdoem meus leitores kardecistas,

Em nada pretendo ofender suas crenças,

Só me refiro a tais mentiras tensas,

Que pelo século dezenove eram tão vistas.

As falsas médiuns lançavam muitas pistas

Dos espíritos “de luz” em suas presenças,

Tantos truques e ardis nessas ofensas,

Que de creres no imortal até desistas!

E enganavam até gente inteligente,

Tal como Victor Hugo, o romancista,

Ou Arthur Conan Doyle, o do Sherlock,

Estalos provocando na escuridão tremenda,

Um ímã sob a mesa em que se assente

Da Tábua Ouija o movimento do berloque!..

 

A BABA DAS MÉDIUNS 2

E havia ainda o artifício mais nojento,

Que era dito ser o “Ectoplasma”,

Uma espécie fantasmal de protoplasma

Que os espíritos cuspiam em tal momento;

Uma baba de gorgolejo fedorento,

Que engasgava um consulente em asma

E qualquer mesmerizado então se pasma

Ante um sinal assim tão evidente!...

E tal modismo encontrou correspondente

Nesses mágicos de palco mais argutos,

Em sugestão hipnótica ou apelando

Para o instinto de rebanho subjacente,

Que levava tantos humanos impolutos

Ao engano voluntário se entregando!

 

A BABA DAS MÉDIUNS 3

 

Naturalmente, muitos desmascarados,

(Mas sempre havia um outro mais potente!)

Que de algum modo convencia a gente,

Pois até mesmo nos tempos mais chegados,

De David Copperfield truques elaborados

Faziam desaparecer completamente

Prédios inteiros sob o olhar ardente

Dos mais céticos que estavam congregados.

O que Allan Kardec finalmente faz,

Após ele mesmo a alguns desmascarar,

Foi demonstrar a existência do além-morte;

Talvez apenas o corpo astral nos traz,

Da vida material tudo ainda a recordar,

Embora o espírito prossiga arcana sorte.